O jeito certo de vender Copa do Mundo

 

Teoricamente, vender Copa do Mundo deveria ser muito fácil. Todo mundo ama futebol. Brasileiro troca hospitais por copa. Pronto.

Mas o que eu ando vendo na TV três meses antes da Copa do Mundo é uma avalanche de comerciais iguais, usando algum trocadilho com o técnico da seleção ou, pior ainda, pessoas na rua pintadas de verde e amarelo, com bandeiras e entoando um canto em comum. Já deu né galera, já enjoei da Copa antes dela começar de tanta coisa igual e sem graça.

Eis que surge a magnífica da publicidade esportiva: Nike. O comercial da campanha “Arrisque Tudo” possui a receita básica do sucesso: ótima produção, jogadores famosos e… E alguém sabe o essencial? Eu conto: humanizaram a coisa. Sim, humanizaram a Copa.

Acho que os profissionais de publicidade, marketing e empresários que veem criando e aprovando essas campanhas estão esquecendo que ninguém vai encontrar o técnico no avião ou montando a lavanderia da sua casa (apesar de eu não tirar o mérito das piadas, que são engraçadinhas), e nem sair às ruas num protesto pró-copa. No máximo vai ter contra, mas isso é história para outro post.

O que vai acontecer é a mesma coisa que em todos os outros anos: o torcedor vai assistir aos jogos no sofá de sua casa, na TV minúscula do boteco com os amigos ou no telão do shopping. Na realidade, não importa onde eles vão assistir, mas sim o que se passa na cabeça deles.

Afinal, o que os fanáticos por futebol querem? Eles querem ser o jogador do momento. Ou vão mais fundo: querem jogar lado a lado do seu ídolo. E se você, um simples jogador de pelada desconhecido, fosse responsável pelo pênalti decisivo da Copa do Mundo? Aposto que muitos brasileiros desmaiariam de emoção só de pensar na hipótese.

Estou aqui só falando de Brasil, pois há outro conceito interessante; brasileiro acaba por pensar que só nós e os argentinos somos fanáticos por futebol certo? Bom, se você não for um fanático e nem ficar pesquisando sobre o que acontece no esporte pelo mundo, deve pensar mais ou menos assim.

É ai que a Nike entra com a maestria da pesquisa, planejamento e sensibilidade. Primeiro, nos mostram uma pelada de jogadores americanos. Eles falando inglês me causou um choque inicial, confesso. Estes meninos comuns se tornando os jogadores mais famosos do mundo, e a pelada se tornando uma final de Copa, traduziu melhor que mil palavras à emoção do target: o que estou falando desde o começo do texto, o apaixonado.

O carinha que está vendo os jogos por trás da TV se viu neste comercial, de uma maneira que ele não consegue se visualizar nos outros. E é este tipo de propaganda que faz sucesso. Humanizada.

Ai você pode rebater todo meu trabalho de argumentação dizendo “Mas é a Nike, eles tem dinheiro para isso”. De fato, concordo que eles têm verba para esta superprodução, mas a ideia não precisa de tanto assim. Se abrirmos nossa mente para um mundo além da copa, vamos perceber que podemos humanizar tudo o que vemos pela frente. Por exemplo, em uma campanha de hospital podemos contar uma história que faça os olhos se umedecerem, em vez de apenas mostrar os prédios e a aparelhagem.

Lição do dia: Humanizar.

Por Gabriela Araújo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s