‘Blade Runner – O caçador de androides’ completa 30 anos

Clássico ‘cult’ do cinema coloca em compasso enredo e ambientação para mostrar um futuro obscuro

Blade Runner – O Caçador de Androides (Blade Runner): EUA/Hong Kong, 1982. Direção: Ridley Scott. Roteiro: Hampton Fancher, David Webb Peoples. Elenco: Harrison Ford, Rutger Hauer e Sean Young. Duração: 117 min.

Por Luana Botelho.

Em 1968, o celebrado autor de ficção científica Philip K. Dick escreveu o que seria um dos mais influentes romances do gênero – Androides sonham com carneiros elétricos? – que, posteriormente, ganharia uma adaptação cinematográfica sob o título Blade Runner – O Caçador de Androides, dirigida pelo aclamado Ridley Scott no melhor estilo noir.

Século XXI. A estória tem lugar em um planeta Terra sem vida, no qual aqueles que aqui se encontram estão de passagem ou não possuem recursos para viajar para colônias espaciais. Pessoas de todas as raças encontram-se apinhadas nas  ruas de uma Los Angeles encardida, na qual as indústrias Tyrell Corporation reinam absolutas na produção de robôs cuja aparência e intelecto rivalizam com as do ser humano. São os denominados replicantes, utilizados em árduas tarefas de colonização espacial.

Após um motim sangrento em que lutavam pelo direito de prolongar suas vidas, os androides conhecidos como Nexus 6 foram declarados ilegais. Assim, com o objetivo de destruí-los, são convocados os Blade Runners.

Nesse cenário de pós-modernidade caótica, Rick Deckard (Harrison Ford), um solitário caçador aposentado, é obrigado a retornar à ativa para eliminar os últimos Nexus 6 da Terra, que estão sob o comando de Roy Batty (Rudger Hauer).

Assistir ao Caçador de Androides é mergulhar nas profundezas escuras e enigmáticas de uma trama de ficção científica bem amarrada, repleta de influências da New Wave e do Ciberpunk: Deckard é um herói solitário e angustiado, tentando desvendar a si mesmo em meio a uma civilização deteriorada pela corrupção.

O enredo possui um caráter pessimista no que concerne à relação entre homem e máquina e, por conseguinte, revela-se como expoente da mitologia do mundo moderno, servindo de inspiração para diversos autores décadas depois. Além do mais, a nítida inversão de papéis mostra o tom distópico típico do Ciberpunk: na medida em que o homem é reificado, ou seja, transformado em objeto, aos robôs são atribuídas qualidades personificadoras.

Em compasso com as ideias que o enredo procura transmitir, a ambientação do filme é obscura e onírica. A cidade caótica de Los Angeles é retratada como se estivesse sob uma constante neblina; a chuva incessante a encharcar o asfalto e refletir as luzes dos letreiros luminosos cria uma atmosfera pesada, permeada por sombras simbólicas e espectrais de uma sociedade em ruínas, num planeta devastado pelo homem e sua tecnologia.

Blade Runner é a expressão máxima da retomada da estética noir, tanto no que concerne ao tema quanto a cenografia que, de maneira indispensável e insubstituível, ajuda a construí-la: a decadência, angústia e ambiguidade sentidas pelo expectador parecem intensificar-se perante a produção impactante do filme.

Uma ótima pedida para assistir em casa, comendo uma pipoca.

Texto originalmente postado no http://colmeia.biz/

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